in

Porteiro é demitido por sair do posto para salvar vítima de acidente

O porteiro ajudou a salvar um homem de 41 anos, que capotou o carro em frente ao prédio.

Metrópoles

Juliano Amaro da Silva Paula é um porteiro de 44 anos, desempregado há 38 dias, depois de abandonar seu posto de trabalho para salvar a vida de uma vítima de acidente de trânsito. O homem contou que estava na guarita, trabalhando, quando ouviu gritos de criança e, em seguida, viu um carro capotando.

Publicidade

Juliano afirmou que não pensou duas vezes e correu de seu posto para tentar ajudar. Apesar de ser porteiro, o homem possui um curso de socorrista e disse que não poderia ficar ali, sem fazer nada.

Na hora que eu fui sair correndo, a cadeira chegou a bater na mesa e até caiu comida no chão. Eu só conseguia pensar em ajudar aquelas pessoas”, contou ele, em entrevista ao UOL. O caso aconteceu no dia 1° de fevereiro de 2022, na cidade de Marília, interior do estado de São Paulo.

Publicidade

Juliano trabalhava como segurança há 20 anos e estava contratado nesse emprego como porteiro há 9 meses. Segundo ele, quando chegou ao carro acidentado, ele encontrou um homem de 41 anos na parte de trás do veículo, em uma posição ruim. Se o socorro demorasse, poderia comprometer sua coluna vertebral e causar danos muito graves, pois o homem estava ferido e perdendo muito sangue.

Publicidade

O porteiro tem curso de primeiros socorros

Quando o socorro chegou, ele ajudou a colocar o homem na maca e retornou para seu posto de trabalho. Segundo ele, em todo tempo, enquanto ajudava o ferido, ele olhava para sua guarita, para saber se algum morador estava precisando de ajuda e, conforme seu testemunho, nenhum morador havia aparecido.

Publicidade

Também de acordo com as informações do porteiro, quando os seus superiores souberam que ele havia deixado seu posto para salvar uma vida, deram a ele duas opções: ou ele pedia demissão ou seria demitido por justa causa.

“Eu falei: ‘eu vou embora por ter salvado uma pessoa? Eu fiz um juramento de que, se eu não realizar socorro, eu estou cometendo um crime’“, relembrou. “Eu passei mal. Fiquei constrangido, mas eles não mudaram de ideia“, completa. O homem contou que recebeu a solidariedade de alguns moradores do prédio e que agora está procurando um novo emprego.

Juliano, que é pai de três filhos, uma menina de 3 e dois meninos, um de 5 e um de 13 anos, afirmou que sua esposa trabalha, mas que sua renda não é suficiente para sustentar a família. Além disso, o filho de 5 anos tem autismo e precisa de um remédio muito caro para seu tratamento.

Publicidade

Escrito por Tati Jesus

Estudante, escritora e apaixonada pela verdade, tenho como meta levar a notícia de forma clara e real. Amo ler e percebo a cada dia que um mundo melhor se faz quando o conhecimento que adquirimos é colocado em prática.