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Constelação Sistêmica ou Familiar: o que é e como está ajudando milhares de pessoas

Fenomenologia: a abordagem epistemológica da constelação sistêmica ou familiar

Imagem: Extra / Globo

Há inúmeras abordagens no tratamento psicoterapêutico que buscam tratar o indivíduo e também o ambiente familiar. Muitos profissionais da área de Psicologia, Serviço Social, Enfermagem entre outras com cargos relacionados à psicoterapia clínica sentiram que a prática eficaz para obtenção de resultados adequados no paciente, muitas vezes envolvia um tratamento mais amplo. Essa abordagem inevitavelmente precisaria lidar com questões familiares que envolviam ligações emocionais e afetivas, formas culturais de relacionamento intrafamiliar, etc.

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De certa forma podemos entender que são ligações invisíveis, como um circuito de computador que passa a energia obtida pela máquina para o aproveitamento de suas funções. A constelação sistêmica ou familiar lida justamente com essas questões dos laços e das relações que muitas vezes não enxergamos de forma consciente. Porém essas são muito importantes para a dinâmica de uma família e até para nossa saúde mental.

Adiante daremos informações completas sobre esse método que está mudando a vida de muitas pessoas. Além disso, ofereceremos o embasamento científico para a aplicação dessa técnica por profissionais da área de psicoterapia clínica. A seguir abordaremos os seguintes assuntos:

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  • Fenomenologia: a abordagem epistemológica da constelação sistêmica ou familiar
  • Situações pessoais e familiares onde a constelação sistêmica ou familiar pode ser aplicada
  • Métodos de trabalho e atendimento para a constelação familiar e sistêmica
  • Como escolher o curso de constelação sistêmica ou familiar
  • Diferenças entre constelação familiar em grupo e individual

Fenomenologia: a abordagem epistemológica da constelação sistêmica ou familiar

Para descomplicar um pouco os termos, tornando o entendimento mais concreto primeiro vamos explicar no que consiste uma abordagem epistemológica. A epistemologia pode ser entendida como uma forma de validar o saber científico através de técnicas que são baseadas em padrões de entendimento sobre o que pode ser comprovado.

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Isso significa que a terapia de constelação sistêmica ou familiar tem um respaldo científico fenomenológico. A fenomenologia é uma linha de pensamento que serve muito bem para a psicologia clínica, por exemplo, porque envolve o reconhecimento de fenômenos da consciência, diferentemente de linhas de estudo científico que estão mais voltadas ao materialismo.

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A psicologia clínica pode se aproveitar muito desse tipo de embasamento porque lida bastante com essa parte de sentimentos e relações familiares que muitas vezes nos aparecem como subjetivas. A nossa sociedade atualmente vive um paradoxo porque as pessoas aparecem felizes, em momentos de descontração com as próprias famílias nas redes sociais. Muitas vezes com fotos tratadas que parecem até propagandas de revista, porém a realidade das estatísticas brasileiras sobre as famílias mostra uma realidade muito distinta.

A depressão, por exemplo, é uma das principais causas de afastamento do trabalho em diversos países. Muitas pessoas também sofrem com problemas de dependência química, dificuldades relacionadas ao trabalho, problemas no casamento; e outras questões relacionadas às emoções que têm fundo em traumas passados e na dinâmica da família. Esses problemas muitas vezes têm um impacto muito grande na qualidade de vida de uma pessoa.

O nascimento da terapia de constelação familiar

Antes de explicarmos como esse tipo de terapia é eficaz em diversas situações relacionadas à terapia, vejamos como ocorreu seu surgimento. Pode-se dizer que a constelação sistêmica é também uma forma de análise familiar.

No caso das constelações familiares, são técnicas e preceitos criados pelo alemão Bert Hellinger. Durante anos, ele havia trabalhado em campo com tribos africanas e percebido que havia uma dinâmica, bem como leis próprias para a resolução dos conflitos. Ele trouxe essas tradições orais consideradas tribais, porém muito importantes no sentido de verificar que há uma ligação até energética que pode estar intrincada e relacionada ao nosso DNA. Além disso, o processo civilizatório pode não ter apagado isso completamente de nosso subconsciente.

A tribo Zulu estudada da África do Sul por Hellinger entendia que quando um problema estivesse sendo vivenciado por uma pessoa, era algo considerado como uma dor pertencente a todos. A ideia de que há uma ligação mais profunda relacionada ao grupo familiar que está conectado ao problema de uma pessoa foi o que, na verdade, gerou a terapia de constelação familiar.

Hellinger posteriormente voltou para a Alemanha e estudou outras formas de terapias psicológicas como a psicanálise, hipnoterapia, a tradição da Gestalt, etc. Esse apanhado de conhecimento também ajudou a gerar os fundamentos da terapia de constelação familiar.

Na época em que foi desenvolvida, o genoma humano ainda não havia sido mapeado. A ideia por trás da constelação sistêmica era um pouco subjetiva, porém conforme a ciência genética foi se desenvolvendo ao longo dos anos 90, constatou-se que de fato nosso DNA tem um grande papel na qualidade emocional e psicológica de vida.

Os pilares da constelação familiar

Hellinger escreveu sobre as “Ordens do Amor” que embasa a terapia da constelação sistêmica. Vejamos adiante quais são esses pormenores relacionados à constelação familiar que serão importantes para a aplicação do método.

Lei do Pertencimento

A ideia por trás da lei do pertencimento é a de que a pessoa tem uma necessidade natural de se sentir ligada ao sistema de sua própria família. Há também uma inclinação ao reconhecimento pelos outros membros de seu meio. Esse vínculo familiar pode ser quebrado através de práticas como incesto, abusos de diversos tipos, brigas ou até o homicídio.

Quando isso ocorre, as próximas gerações podem ser negativamente afetadas. Isso porque o ato de quebra do vínculo acaba trazendo consequências de exclusão que podem aparecer nas futuras gerações em formas de problemas psicossomáticos ou psiquiátricos.

No livro Ordens do Amor, o desenvolvedor da terapia de constelação familiar também indica que quando um membro da família é excluído por qualquer motivo, um descendente acaba inconscientemente assumindo o papel do destino esperado pelo ancestral.

Lei da Hierarquia

Essa hierarquia tem a tendência de garantir o respeito das gerações anteriores. Esse padrão deve sempre garantir o respeito das gerações anteriores. Portanto, por exemplo, filhos que acabam ocupando o papel dos pais na relação familiar podem desequilibrar toda a dinâmica do grupo consanguíneo.

Isso não significaria manter determinados comportamentos retrógrados, mas garantir a honra daqueles que chegaram antes de nós. Segundo Hellinger, esse reconhecimento permite o equilíbrio da ordem do amor permitindo a harmonização do sistema.

Lei do Equilíbrio

Essa lei tem a ver com os valores de troca entre os membros da família, o ato de dar e receber. Um relacionamento de casamento, por exemplo, onde um membro se doa mais para a relação do que o outro pode se desequilibrar. A relação, para estar adequadamente mantida precisa ter esses elementos. 

Muitas pessoas, principalmente as mulheres, acreditam inconscientemente que precisam se doar muito mais do que recebem de seus companheiros. Isso pode prendê-las em relações abusivas que trazem consequências graves. As estatísticas de casos de abuso feminino no Brasil apontam números assustadores que estão ligados a questões de traição no casamento da parte que se doa demais. A teoria da constelação sistêmica explica isso. Por exemplo, pelo fato de que a parte doadora do afeto acaba se desinteressando em relação ao outro que recebe demais se tornando dependente. Esse fato de tornar-se dependente do carinho e da atenção do parceiro acaba fazendo o outro procurar alguma forma de distração.

Nós indicamos aqui essas estatísticas de abuso em relação a mulheres no Brasil porque são consequências reais que estão afetando famílias na atualidade. Há inclusive números alarmantes relacionados ao feminicídio que trouxeram mudanças na legislação criminal brasileira.

Métodos de trabalho e atendimento para a constelação familiar e sistêmica

O trabalho de terapia é feito através de sessões onde o terapeuta funciona como um facilitador no processo de evolução e melhoria da qualidade de vida da pessoa. A entrevista e conversas com aquele que estiver em tratamento com terapia de constelação familiar e sistêmica será embasada por esses princípios contidos nas teorias desenvolvidas por Hellinger.

Na terapia de constelação familiar o paciente é chamado de cliente, esse fará uma breve entrevista com seu facilitador para identificação do problema que precisa ser resolvido. Nesse sentido, o cliente pode trazer diversas queixas como:

  • Depressão
  • Problemas de compulsão por compras
  • Problemas de relacionamento
  • Complicações na vida conjugal
  • Doenças psicossomáticas
  • Infelicidade na vida profissional

Há outros motivos que podem levar uma pessoa a procurar a ajuda de um terapeuta. É importante que o facilitador pratique uma escuta ativa e que diagnostique os fatores que possam estar influenciando na criação desses problemas.

A dinâmica com a família

As sessões muitas vezes envolverão participações de membros da família. Uma dificuldade que o terapeuta pode encontrar na vida cotidiana é a resistência até de membros da família a também fazerem a terapia ou a mudarem comportamentos.

Muitas vezes as pessoas que estão com algum sintoma, incomodadas acabam procurando ajuda sozinhas. Como essa terapia tem uma abordagem sistêmica, será importante que o facilitador procure atender a família e entender o histórico envolvido nos relatos de seu cliente.

Problemas de família

Muitas vezes o terapeuta se deparará com situações muito dolorosas e sérias que envolvem o contexto familiar. Entre eles podem ocorrer situações como:

  • Abortos
  • Estupros
  • Assassinatos
  • Abusos psicológicos ou verbais
  • Abusos físicos

Há uma quantidade de situações familiares que causam a quebra de vínculos. É importante ter em mente que há situações que não serão totalmente revertidas. Elas podem ser tratadas, porém a dor causada pode quebrar vínculos familiares que rompem alianças muito profundas.

Trabalhar essa dinâmica significa, muitas vezes, tratar a dor, lidar com alguma situação que esteja ocorrendo da melhor maneira. Porém, em casos de abusos sistemáticos e crônicos, quando um membro da família tem um transtorno de personalidade narcisista ou antissocial pode ser necessário auxiliar o cliente a sair da situação e se afastar daquele membro que está sem possibilidade de mudança.

Haverá outras situações onde os laços familiares poderão ser restaurados de forma que todos naquele círculo possam entender como evoluírem. Em todos os casos, o terapeuta deve usar de sua experiência e sabedoria para melhorar a qualidade de vida de seu cliente.

Como escolher o curso de constelação sistêmica ou familiar

Se você é um profissional da área da Psicologia, do Serviço Social ou correlata que esteja lidando diretamente com casos de família que necessitem de terapia: a área da constelação sistêmica pode ser ideal para você.

Para escolher um bom curso leve em conta as seguintes dicas!

  • Verifique as referências de outros colegas que já sejam facilitadores e os resultados da terapia em seus clientes.
  • Pesquise o histórico do profissional que fará sua preparação, se ele tem realmente capacitação e experiência no assunto.
  • Há cursos de pós-graduação disponíveis em diversas áreas que capacitam um profissional a se tornarem facilitadores em constelação sistêmica ou familiar em Universidades renomadas.
  • Você terá que estudar sobre o assunto também através da aquisição de livros e material didático por si mesmo(a) de forma a sempre estar conetado(a) com as inovações na área da psicoterapia de constelação sistêmica ou familiar.
  • Não atue na área sem fazer um treinamento ou devida preparação, procure oferecer ao seu cliente uma sessão de acordo com os princípios adequados e que provavelmente ele(a) procura como caminho para sua cura.

O importante é que você também faça uma escolha que esteja de acordo com seus valores e acredite de fato na terapia. Procure fazer sessões também para entender o lado de seu cliente, além de conhecer a dinâmica do dia a dia desse tipo de abordagem.

Diferenças entre constelação familiar em grupo e individual

Há dois tipos de sessões que podem ser realizadas nesse tipo de abordagem. Sessões de constelação familiar em grupo ou individuais. Você precisará estar preparado(a) para trabalhar com indivíduos, casais e até famílias inteiras.

As sessões individuais são mais íntimas, você fará a entrevista somente com o cliente que lhe faz a queixa. No caso de sessões em grupo, será possível realizar grupos com clientes que tenham o mesmo tipo de problema como é o caso de mulheres que são abusadas por seus parceiros. Há diversos grupos criados no Brasil para trabalharem nesse sentido com as mulheres permitindo que a experiência de uma ajude também a outra na dinâmica do facilitador.

Em outros casos, há a possibilidade de fazer uma sessão para a família conversando com os membros de forma a trabalhar as possibilidades de restauração. Por isso é necessário não somente percepção, mas também que o terapeuta tenha tempo de experiência com as pessoas e com as técnicas da constelação familiar.

Principais benefícios da terapia de constelação familiar

  • Melhoria das relações interpessoais e familiares
  • Desenvolvimento de capacidades não reconhecidas antes através da liberação de bloqueios
  • Possibilidade de tratar problemas de psicologia clínica com sucesso
  • Maior qualidade de vida para as famílias, bem como ao indivíduo que busca as sessões
  • Mais ânimo e sabedoria para lidar com adversidades da vida

Há outros tipos de benefícios para pessoas que procuram o tratamento para evoluírem como membros da sociedade e de suas próprias famílias.

Conclusão

Neste artigo falamos sobre a terapia de constelação familiar ou sistêmica. Quais são os seus princípios fundamentais além de informações essenciais para a prática do terapeuta. Você gostou deste artigo? Não se esqueça de deixar o seu like e compartilhar o nosso trabalho com todos os seus amigos.

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Escrito por Anna Müller

Bastante ativa nas redes sociais, escrevo conteúdo sobre os mais diversos assuntos para a plataforma i7 Network.