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Gravidez psicológica: especialistas esclarecem mitos e verdades

Uma estimativa afirma que uma em cada 22 mil gestações não é real, e o nome científico para isso é pseudociese, mais conhecida como gravidez psicológica, algo que já foi muito comum no passado, porém, mais raro nos dias atuais.

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Antigamente, era algo comum, pelo fato das mulheres crescerem sendo influenciadas a serem mães, no entanto, com o decorrer dos tempos, as mulheres foram em busca dos seus direitos e expandiram seus valores, fazendo com que a maternidade não fosse mais uma prioridade. Com isso, diminuiu-se a incidência da pseudociese, segundo a ginecologista Renata Camargo Menezes, especialista em reprodução humana e diretora da Clínica Engravide, em SP.

Os casos de pseudociese são raros nos dias atuais, porém, ainda existem. Em 2013, uma mulher chegou a ser operada no RJ. A jovem chegou no hospital com indícios de trabalho de parto e quando os médicos atenderam e realizaram a operação, descobriram que o útero dela estava normal e intacto, não havia bebê algum.

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Mesmo testes negativos ou ecografias vazias não influenciam quando a mulher tem a certeza definitiva de que está grávida. A gravidez psicológica é exatamente isso, uma certeza que elas criam e acreditam 'cegamente'.

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A gravidez psicológica é um desejo intenso de ser mãe

Parcialmente verdade. Ao contrário do que muitos pensam, não é só o desejo intenso por querer engravidar: “É preciso ter tendências a ter alguma psicopatia que suporte esse delírio e negação da realidade”, explica Gabriela Malzyner, psicóloga mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

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No entanto, a frustração por não alcançar o que se deseja, ou ainda o que os outros desejam, acabam culminando para uma pseudociese. Pressões externas influênciam e muito para que isto ocorra: “A mulher que revive esse estresse continuamente tem uma probabilidade maior de ser acometida por esse distúrbio grave”, destaca Renata.

A gravidez psicológica pode fazer o seio produzir leite

Verdade. O sistema emocional acaba influenciando todo o corpo, assim como o sistema reprodutor: “Os neurotransmissores envolvidos no estresse podem alterar a produção de hormônios como a prolactina e o LH, que simulam uma gravidez”, explica Renata.

Mas como tem casos em que a barriga cresce, há movimentos e até contrações?

Isto ocorre porque a ação da prolactina pode distender o intestino, o LH (hormônio luteinizante) contém uma estrutura parecida a do beta HCG, o hormônio que o corpo produz quando a mulher realmente fica grávida, causando ainda atrasos menstruais e até o leite nas mamas.

O medo de engravidar pode fazer a gravidez psicológica aparecer

Parcialmente verdade. “O medo de estar grávida deve ser diferenciado da pseudociese verdadeira”, aponta Renata. Isto porque, o período que antecede a menstruação, também chamada de TPM, pode causar enjoos e inchaços, e até atraso menstrual por conta da tensão.

O teste de gravidez pode dar positivo

Mito. Ao contrário do que muitos falam, o hormônio HCG que é medido para saber se há gravidez, não circula nos casos de gravidez psicológica.

A gravidez psicológica passa sozinha

Mito. “O tratamento exige acompanhamento médico para atestar a ausência da gestação, além do psiquiátrico e psicólogo, que são essenciais para identificar e trabalhar as causas dessa condição”, explica Mariana Bonsaver, psicóloga da Pro Matre Paulista.

Há casos em que precisa-se de remédios para interromper a produção do leite e também para regularizar a menstruação. Há casos ainda que necessita de medicação psiquiátrica.

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